“E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia”
Hebreus 10:24-25

Amizade, alegria, carinho, boa vontade, caridade. Esses são os principais ingredientes dos grupos de bordado da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, um dos primeiros movimentos que se tem registro nas comunidades da Praia da Costa. Os encontros acontecem nas comunidades Perpétuo Socorro e Santo Antônio, às terças e quartas, respectivamente.

Dona Theresinha Norbin Sanches Torres, 86 anos, explica que o grupo da Perpétuo Socorro, carinhosamente chamado de “Costurinha”, nasceu na Pastoral Catequética do Santuário do Divino Espirito Santo há anos, quando ainda não existia a Paróquia. “Em 1962, comecei a fazer parte, mas esse grupo já se reunia desde os anos 1950, na casa de Maria José Coutinho”, lembra. Elas chamavam o grupo de “Tricrochá”, pois se reuniam para fazer tricô, crochê e, ao final, tomavam um chá para orar e agradecer o momento especial que viveram.

A história do grupo de senhoras bordadeiras se confunde com a da Paróquia. Dona Theresinha e seu esposo, Jair Pinheiro Torres, receberam de padres da época a sugestão de se unirem a outros casais para formar uma igreja, já que não havia muitas em Vila Velha. Assim, aumentaram o grupo e fundaram a comunidade cristã que deu origem à Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. “Fomos para dentro da igreja com baldes, tijolos e cimento para lutar pela sua construção, sempre com o objetivo de catequizar. Esse grupo representa muito para mim, foi o começo da minha vida espiritual atuante na igreja. Não falto de jeito nenhum à reunião. Fiquei com a responsabilidade de manter o grupo, pensando na caridade. Precisamos ser religiosos, mas também viver a caridade em nossa vida”, fala feliz.

Dona Therezinha Costa Ignacio da Silva, 80 anos, entrou no grupo de bordados da Perpétuo Socorro em 1981, a convite da amiga Zezé Roque. Hoje é a coordenadora e representa o grupo nas reuniões do conselho da comunidade. Mais de 30 pessoas integram o grupo, que se reúne toda terça-feira a partir das 14h, na sala 206 do Centro Pastoral Paroquial. Tudo que produzem é vendido no bazar que ocorre anualmente, em novembro. “O grupo só representa coisas boas pra mim, nele fiz muitas amizades na comunidade. Considero nosso grupo até um pouco terapeuta. Quantas pessoas de idade estão sós porque os filhos saíram de casa? Eu convido todos a participar, qualquer um pode fazer parte! ”, diz.

Atual coordenadora do grupo de bordados da comunidade Santo Antônio, Rita de Cassia Encarnação Carrareto, 65 anos, o integra há 15 anos. O gosto pelo crochê e o tempo livre deixado pelos filhos crescidos foram determinantes para que ela decidisse aceitar o convite de uma amiga e participar do grupo. Ela conta que hoje há 28 pessoas cadastradas, mas cerca de 15 já não saem mais de casa porque estão muito idosas, às vezes acamadas ou com problemas de locomoção. “Mesmo assim, mantenho todas relacionadas e fazemos questão de chamá-las para a festa de fim de ano, não descartamos ninguém, mesmo que não participe durante o ano. Somos uma grande família!”, afirma.

O grupo da Santo Antônio reúne às quartas-feiras, de 13h30 às 16h30, com muito trabalho, oração e um lanche. Também promovem um bazar anual, uma semana antes do Dia das Mães, cuja renda é revertida para ajudar instituições de caridade, para a própria igreja, principalmente neste momento em que a comunidade Santo Antônio está em reforma, além da compra de materiais para trabalharem no bazar do ano seguinte. Após o bazar, tudo que sobrou permanece à venda e elas já começam a confeccionar os produtos para o ano seguinte. “É muito gratificante essa reunião semanal. Considero até uma terapia. O grupo representa muito para mim, sou apaixonada por ele, não marco nada nesse horário, que fica reservado para essa reunião. Sinto-me bem fazendo o bem”, fala.

Maria Cecilia Brioschi Cutini, 64 anos, está desde 2004 no grupo e conta que a participante mais idosa tem 90 anos e a mais nova, 50. Ela auxilia a Rita na coordenação do grupo na Santo Antônio e diz que neste momento de reforma da igreja estão se reunindo no salão de festas do prédio de uma das participantes. “Gosto muito desse grupo porque acolhe a todos. Quem sabe ensina e quem não sabe aprende e reza junto! Para mim, fazer parte representa uma maneira de vivenciar a fraternidade e manter a minha mente ativa e saudável, além de poder ajudar aos mais necessitado, pois o resultado é direcionado para obras sociais!”, destaca.

Mônica Vianna Riguête tem 50 anos, é professora e faz parte do grupo na comunidade Santo Antônio há dois anos e meio. Ela conta que uma mesma peça pode passar por duas, três ou mais voluntárias até ficar pronta. “Cada uma, normalmente, faz a parte que mais tem habilidade. Por exemplo: uma costura, outra borda e uma outra faz o acabamento em crochê. Eu gosto muito de participar, queria usar o meu hobby para ajudar alguém. O grupo é uma oportunidade de ajudar pessoas fazendo o que gostamos. Também somos muito ajudados quando nos reunimos e trocamos ideias. É uma convivência muito agradável!”, fala com satisfação.