Uma vida toda disponível no celular. Em um mesmo dispositivo, é muito mais fácil hoje, para qualquer pessoa, organizar a sua agenda, trabalhar, verificar a caixa de e-mails, pagar contas, obter informações sobre o trânsito e previsão do tempo, fazer compras, ouvir música, assistir a vídeos, jogar, conversar com a família e amigos nas dezenas de grupos no WhatsApp, armazenar dados, ler notícias e e-books, fazer selfies e postar nas redes sociais. E tudo cada vez mais rápido e num menor espaço de tempo.

Segundo uma pesquisa divulgada, em 2016, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre dados dos últimos dois anos, cerca de 136, 6 milhões de pessoas (com 10 anos ou mais) possuíam celular em 2014 no Brasil. O número representa 77,9% dessa população e um aumento de quase 5% em relação a 2013 (6,4 milhões de pessoas) e de 142,8% em relação a 2005.

E onde entraria a evangelização nesse ritmo cada vez mais frenético e acelerado? Como a Igreja precisa e pode atuar?

De acordo com o consultor do Pontifício Conselho para a Comunicação Social e para a Cultura e grande estudioso da cultura digital, o jesuíta padre Antonio Spadaro, o ambiente cibernético não seria apenas um simples instrumento de comunicação que se pode ou não usar, mas ele “evoluiu num espaço, um ‘ambiente’ cultural que determina um estilo de pensamento e cria novos territórios” e configura-se como um contexto cultural que determina modos, experiências e linguagens próprias. “Efetivamente é um modo de habitar o mundo e organizá-lo” (A. Spadaro. “Ciberteologia. Pensar o cristianismo em tempos de rede”. Ed. Paulinas, p.17).

Deste modo, não pensar a evangelização neste novo mundo é negar a presença da Igreja onde hoje as pessoas habitam, convivem e atuam. E na lógica dos conteúdos orbitais, em que as pessoas não estão mais submetidas necessariamente a uma programação de TV ou rádio comandada pelos produtores destes meios, mas podem escolher a seu tempo o que deseja ver, ouvir etc, a Igreja tem a possiblidade de estar à frente em um processo que ela conhece bem: o de olhar cada pessoa como única, com suas particularidades, do mesmo modo como Deus enxerga e criou cada um.

Os evangelizadores das dioceses, paróquias, pastorais e demais expressões precisam, assim, favorecer, essa cultura do encontro e, ao mesmo tempo, transmitir os conteúdos da fé e a Verdade de forma consistente e clara. O objetivo é que esta pastoral centrada na pessoa não reforce de modo algum o relativismo, superficialidade e inconstância dos tempos atuais já que, cada vez mais, a pessoas escolhem somente o que querem fazer, pensar e agir.

Sendo assim, seria retroceder não buscar estar onde as pessoas estão e entender como se formam hoje a sua linguagem, pensamento e visão de mundo. De acordo com o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, lançado pela CNBB em 2014, os agentes de comunicação, sejam eles, bispos, padres, religiosos ou leigos, precisam desenvolver projetos de comunicação integrados e atentos para a urgência dos tempos atuais.

As possibilidades são quase que infinitas e a alegria de levar o Evangelho deve ser o ponto principal de tais projetos e organização dos meios de comunicação. Desta forma, cada comunicador pode levar tantos outros a fazer a mesma experiência dos discípulos de Emaús dentro dos ambientes digitais. Com uma mensagem sólida e que lhes transforma a vida, eles poderão afirmar: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32).