Depois do Outubro Rosa, dedicado a informar as mulheres sobre o câncer de mama, a campanha Novembro Azul, que acontece em todo o Brasil, visa alertar os homens sobre a importância dos exames de detecção do câncer de próstata

 

Silencioso e geralmente sem sintomas iniciais, o câncer de próstata é a segunda causa de morte por câncer entre os homens atualmente no Brasil. Estudos de 2015 da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) apontam que 51% dos homens nunca consultaram um urologista. O diagnóstico precoce é essencial para um tratamento bem-sucedido, pois quando o tumor é identificado no começo, as chances de cura podem chegar a 90%.

 

O médico urologista Paulo Marcos Comarella explica que muitos homens deixam de se consultar pelo hábito de só irem ao médico quando estão doentes, falta de tempo por excesso de trabalho e, até mesmo, por preconceito. “Ainda nos dias de hoje, alguns se sentem constrangidos em fazer o exame do toque retal que, aliado ao de sangue PSA (antígeno prostático específico), é importante no diagnóstico do câncer de próstata”.

 

Exemplo disso foi o caso do agricultor Antônio da Silva. Ele, que aos 57 anos, nunca havia ido ao urologista, foi convencido pelo filho a procurar um especialista, mesmo sem apresentar nenhum sintoma. Ao fazer os exames foi diagnosticado com câncer de próstata, tratado e curado. Hoje, aos 68 anos, leva uma vida normal: “Me sinto um privilegiado. Tive uma nova chance de poder continuar minha vida com saúde e ver meus netos crescerem. Agradeço muito a Deus por isso”, diz.

 

Outra história bem-sucedida e de grande superação foi a do paroquiano Carlos Eduardo Fernandes Saleme, de 59 anos. Ele, que desde os 42 já fazia exames regulares por ter histórico familiar da doença, teve a confirmação do diagnóstico após nove anos de acompanhamento médico rigoroso. Saleme conta que ao receber a notícia sentiu medo, principalmente no momento em que teve de fazer um exame mais amplo para saber se o tumor havia se espalhado para os ossos.

 

“A gente sente medo sim, mas, ao mesmo tempo, a certeza de que estava sendo bem acompanhado pelos médicos, o apoio da família e a minha fé incondicional em Deus me deram a tranquilidade e a certeza de que seria curado, e estou”, relata emocionado. “Espero sinceramente que todos os homens façam periodicamente não só os exames de detecção do câncer, que são muito simples, mas cuidem melhor da saúde”, finaliza ele.

 

Os cristãos sabem que o corpo é o templo de Deus, assim, cuidar dele é, acima de tudo, uma forma de gratidão pela vida e o Novembro Azul vem pra lembrar e conscientizar mais uma vez disso. “Não sabeis que vosso corpo é templo do Espírito Santo, que recebeis de Deus e reside em vós?” Coríntios 6:19.

 

(BOX)

Dicas de quem entende do assunto:

 

Como identificar o câncer de próstata? 

Consulte um médico urologista que fará avaliações de rotina e indicará os exames necessários. Inicialmente são realizados o toque retal com o exame de sangue PSA.

 

Qual a idade ideal para fazer os exames? 

A Sociedade Brasileira de Urologia orienta que os exames sejam feitos anualmente em homens a partir dos 50 anos, embora exista a recomendação de que se comece mais cedo, a partir dos 45. Já as pessoas da raça negra ou quem possui familiares de primeiro grau que tiveram a doença devem procurar um urologista para avaliar a necessidade de iniciar seus exames a partir dos 45 anos ou até antes.

 

Quais os principais sintomas? 

Em sua fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou a noite). Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal.

 

Qual o tratamento mais adequado? 

Existem vários tipos de tratamento, como o acompanhamento por observação do tumor, cirurgia, radioterapia, hormonioterapia e quimioterapia, mas só um especialista pode indicar o mais adequado, pois depende do tipo de tumor encontrado, estágio da doença e aspectos individuais de cada paciente.