“Quem não respeita os avós não tem memória nem futuro” (Papa Francisco)

Envelhecer é uns dos processos naturais da vida humana. É uma oportunidade de transmitir os conhecimentos adquiridos ao longo da vida! Por este ponto de vista, podemos afirmar, sem dúvida, que envelhecer é uma dádiva! No entanto, sabemos que o envelhecimento nos nossos dias está mal compreendido, pois, de acordo com o senso comum, é encarado como um período retrógrado, tendo em vista a perda das atividades físicas e também mentais.

Na verdade, as realidades vividas pelos idosos variam de um extremo a outro, conforme a estrutura familiar, as condições físicas, os incentivos recebidos e o cotidiano de cada um. Temos, por exemplo, os idosos que são acolhidos pela família e ali permanecem até o final de suas vidas, mas temos também aqueles cujo destino são os Asilos e as Casas de Repouso, lugares onde os idosos podem se reunir, comer e participar de diversas atividades e programas durante o dia.

Com a população atual envelhecendo, as Casas de Repouso têm sido mais frequentadas desde a década de 1970. Na Praia da Costa, uma das mais famosas do estado Espírito Santo, existem atualmente quatro Casas de Repouso. Em toda a Praia da Costa, onde a população residente é estimada em mais de 31 mil habitantes (Censo Demográfico IBGE), cerca de 3.200 têm 65 anos ou mais. Deste número, mais de 2 mil são católicos.

“Os dias se passaram e não vi alternativa se não a de deixar papai numa clínica de repouso, o que aconteceu em 1º de maio de 2014. O fiz resguardada pelo fato de que eu não sabia cuidar dele, não sabia dar banho corretamente, nem conseguia levá-lo para dar banhos de sol. Então comecei a pesquisar acerca dos cuidados que eu deveria ter e nas coisas que deveria observar. Sei que às vezes me pergunto o porquê de Deus me provar até meu limite, e então eu vejo que estou olhando as coisas pelo prisma errado: nesses últimos meses, papai me ensinou mais do que pôde me ensinar toda a vida. Ele me recolocou em contato com Deus e com a igreja. E por consequência, conheci pessoas iluminadas!” (Ana Cláudia L. Paiva)

VOLUNTARIADO

Membro da Pastoral da Saúde _também conhecida como Pastoral da Visitação_ da Paróquia Perpétuo Socorro (Praia da Costa) o Diácono João Tozzi Sobrinho garante que a principal necessidade dos idosos visitados é a atenção. “Eles querem ser ouvidos, então durante as visitas cantamos, escutamos, conversamos e fazemos oração com eles”, disse.

Com apenas três meses em vigor, a Pastoral é composta por 60 pessoas que, semanalmente, realizam visitas aos doentes, seja em suas residências ou nas Casas de Repouso onde se encontram. “Para cada doente temos uma dupla de visitadores. Aos domingos pedimos a alguns ministros que levem a comunhão aos enfermos que a desejam. Mas no fim das contas, podemos dizer que estamos recebendo mais do que dando, ao realizarmos este trabalho. É um grande avanço de nossa Paróquia”, afirmou o diácono.

Atento às diferentes realidades vivenciadas pelos idosos, em uma de suas homilias (no dia 13 de novembro de 2013) o Papa Francisco abordou o assunto e enfatizou que idosos são tesouros da sociedade, embora sejam, muitas vezes, abandonados. “Nós vivemos em um tempo no qual os idosos não contam. É ruim dizer isto, mas eles são descartados, porque dão trabalho. Os idosos são aqueles que nos trazem a história, que nos trazem a doutrina, a fé e nos dão um legado.”, disse o Santo Padre, destacando a importância de respeitar e cuidar dos idosos.

No caso de Ana Cláudia Lopes Paiva, a idade avançada do pai, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) acabou proporcionando uma mudança positiva na relação familiar. “Antes da doença papai era muito difícil, violento com as palavras, sempre pessimista, bravo, gritava comigo e com meus filhos. Após o AVC, o inimaginável aconteceu: papai ficou dócil, carinhoso, pois estava medicado, e se permitia ser cuidado por mim e por meu companheiro. O impossível aconteceu: Cheguei a agradecer a Deus pelo AVC, que trouxe para mim um pai que jamais havia existido”, testemunhou.

AS “COSTURINHAS”

Por outro lado, enquanto muitos idosos se rendem ao tempo e tornam-se ociosos ao alcançarem a terceira idade, outros acabam aproveitando a fase pós-aposentadoria para ingressar em atividades para as quais antes não tinham tempo. Para estes, a terceira idade passa a ser uma oportunidade de maior participação social, trabalhos e serviços sociais.

É o caso de um grupo de senhoras que se reúne semanalmente na matriz Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde encontram-se todas as terças-feiras para bordar. São peças trabalhadas em crochê, tricô e outros bordados que, ao final do ano, são expostas num bazar organizado por elas mesmas. “O dinheiro tem como destino as obras sociais de nossa Igreja”, explica Terezinha Inácio. “Antes deste grupo, muitas de nós ficávamos em casa sozinhas, ociosas”, completou ela, que pertence ao grupo desde 1981, quando chegou da cidade de Belo Horizonte.

Tudo começou na década de 70, ocasião em que um grupo de catequistas se reuniu em Vila Velha _ quando ainda nem existia a comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro_ para se dedicarem a trabalhos manuais, como uma maneira informal de descontração. A pedido dos freis do Santuário do Divino Espírito Santo, elas passaram a trabalhar em prol de uma comunidade, quando surgiu a comunidade Perpétuo Socorro. “Hoje somos um grupo de terapia”, concluiu Terezinha Torres.

ibge