Pontifícia obra da infância e adolescência missionária vem fazendo a diferença na vida de pequenos cristãos ao redor do mundo.

Outubro é considerado pela Igreja em todo o mundo o mês missionário. No calendário civil, é a data em que se celebram as crianças. Ainda pouco conhecida pelos cristãos, a Pontifícia Obra da Infância e Adolescência Missionária (IAM) reúne esses dois pontos em torno de um único objetivo: evangelizar. Sua finalidade principal é suscitar o espírito missionário universal nas crianças, conferindo-lhes o protagonismo na solidariedade e na evangelização. São crianças em favor de outras crianças.

Tomando como exemplo a vida de Jesus e de seus discípulos, a Infância Missionária tem em Maria, a mãe de Jesus, uma fiel testemunha da autêntica ação evangelizadora. Inspira-se tam­bém em São Francisco Xavier e Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeiros das missões. Ambos viveram ardentemente o carisma missionário universal, doando suas vidas pelo anúncio do Evangelho.

Na Arquidiocese de Vitória, a IAM está presente em algumas paróquias com uma ação inspiradora. A maioria dos grupos funciona em Cariacica e Viana, nas paróquias Mãe da Divina Misericórdia, em Marcílio de Noronha, e Santa Clara de Assis, em Vila Bethânia. Cerca de 300 entre crianças e adolescentes participam promovendo atividades, como gincanas, pedalada, acampamento, bate-lata, terço, consagração a Nossa Senhora e novenas na dimensão missionária. Além de fazer visitas a residências, asilos e abrigos, os grupos colaboraram também com a reciclagem usando os materiais para confeccionar brinquedos, instrumentos musicais, terço e outros objetos que precisam para as atividades desenvolvidas.

A paróquia São Francisco de Assis, em Jardim da Penha, também tem grande adesão, reunindo aproximadamente 120 crianças e adolescentes na Infância Missionária. Há ainda registros de grupos na paróquia Santa Rita (Praia do Canto, Catedral Metropolitana de Vitória (Centro), paróquias São José (Fundão) e Santa Ana (Santana), além dos Barcelona, na Serra, e Domingos Martins. O Colégio Marista, em Vila Velha, também tem grupos que atuam de forma muito organizada. Em julho deste ano, representantes de todas essas equipes participaram do Congresso Estadual da IAM, em Jaguaré, diocese São Mateus.

O IMA está presente hoje em mais de 130 países do mundo, entre eles o Quênia

 

Presente em 130 países, a Pontifícia Obra da Infância e Adolescência Missionária (IAM) é assim chamada Porque se diferencia de uma atividade apostólica transitória. Sua organização, a presença em todo o mundo, pelo seu testemunho e eficiência, tendo sido aprovada e assumida pelo Papa (Pio XI) como Obra evangelizadora a serviço de toda a Igreja. É missionária porque educa as crianças no crescimento da fé, inserindo-as em atividades com dimensão universal. Pelo compromisso do batismo, elas vivem concretamente a experiência da partilha da fé e de seus bens com todas as crianças do mundo.

O nome “Infância e Adolescência Missionária” vem de uma devoção existente na França, onde as atividades tiveram início, a infância do Menino Jesus. Inicialmente, seu nome era “Santa Infância”. Foi fundada por Dom Carlos Forbin-Janson, bispo de Nancy (França), em 19 de maio de 1843, motivado pelas cartas e notícias que missionários, principalmente da China, escreviam contando a realidade triste e dura das crianças naquelas regiões: doenças, mortalidade, analfabetismo, abandono. Desta forma, Dom Carlos decidiu convocar crianças para socorrer outras. Propôs aos pequenos franceses que ajudassem recitando uma Ave Maria por dia e doando uma quantia por mês. Assim surgiu a Santa Infância (Pontifícia Obra da Infância e Adolescência Missionária).

A Pontifícia da Infância e Adolescência Missionária de 90 dioceses de todo Brasil arrecadou aproximadamente R$57,2 mil reais em ação solidária em favor de crianças carentes

Outras atividades

Atualmente, há dois grandes movimentos na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro destinados a esse público: o Encontro de Adolescentes com Cristo (EAC) e o Encontro de Crianças com Cristo (Ecricri). O primeiro tem como público adolescentes de até 15 anos, enquanto o segundo, crianças de 8 a 11 que ainda não fizeram a primeira comunhão. Ambos têm objetivos semelhantes: oferecer um terreno favorável para um encontro pessoal com Deus. Entretanto, a abordagem e duração são diferentes em cada um, devido ao contexto de cada faixa etária. Muitas das crianças que no passado fizeram o 1º Ecricri, hoje, adolescentes, estão inseridas não apenas no EAC, mas em muitas outras atividades paroquiais.

Para as crianças que fizeram o encontro, existe um acompanhamento e incentivo para iniciar ou continuar na catequese, até a primeira comunhão, quando já terão idade para iniciar as atividades com os adolescentes. Estes, por sua vez, mesmo antes de participarem do EAC, que acontece duas vezes por ano, frequentam semanalmente a Pastoral do Adolescente (PA). Uma média de 150 adolescentes se reúne a cada sexta-feira, às 19h30, e em cada encontro, louvam a Deus, contando sempre com a participação de alguém para pregar a Palavra de acordo com o tema do dia. Ao menos uma vez por mês, ocorre entre eles a adoração ao Santíssimo Sacramento, conduzida em muitos momentos pelos eles próprios.

A PA, o EAC e o Ecricri dão a oportunidade para que cada um se apaixone pelo serviço a Deus. Dentro de cada um desses movimentos, existem equipes formadas por algum “tio”, um jovem e na maioria pelos adolescentes ou crianças. A ideia é que os mais velhos apenas orientem no que for preciso, mas que o serviço seja feito por eles, para que a evangelização aconteça na linguagem do público-alvo, afim de atingir cada vez mais tanto os que já estão dentro, como aqueles que ainda não participam das atividades.

O objetivo não é apenas catequizar, ainda que isso ocorra naturalmente. Contudo, parte-se do princípio de que eles já foram catequizados e agora precisam de uma vivência que os levem a colocar em prática aquilo que aprenderam e que, muitas vezes, ficou apenas na teoria. Hoje, em toda a Arquidiocese, pode-se observar um grande crescimento de todo esse movimento. Em 2016, alguns tios e tias se reuniram e tiveram a ideia de escolher uma das romarias feitas na semana da Festa da Penha e pedir autorização para levar os adolescentes, convidando todas as Pastorais dos Adolescentes da Arquidiocese. O sucesso foi tamanho que, neste ano, a Romaria dos Adolescentes entrou para o calendário oficial do evento, com a Santa Missa celebrada especialmente para eles no campinho do Convento.