Inspirado nas Campanhas da Fraternidade, grupo Fraternidade e Vida desenvolve ações de conscientização socioambiental e proteção da natureza

Evangelizar para a conscientização a respeito do cuidado com a Casa Comum tem sido um dos focos do trabalho da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) há alguns anos, desde a encíclica Laudato Sí. A falta de cuidado das pessoas com os recursos naturais do planeta e as consequências que o mau uso deles pode trazer preocupam e pedem ações urgentes.

Assim, dando continuidade às ações e debates iniciados na Campanha da Fraternidade do ano passado, a edição 2017 traz o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15). Segundo o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem sejamos conduzidos à vida nova”, afirma.

Na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o grupo Fraternidade e Vida se dedica, desde 2011, às causas relacionadas à defesa e preservação do meio ambiente. “A Encíclica Laudato Sí modificou profundamente a prática dos cristãos. Agora não basta apenas amar as criaturas humanas. Por amar o teu próximo entende-se amar tudo o que foi criado por Deus. Somos chamados a cuidar da natureza, pois o homem depende dela. Sem ela, a vida humana não é possível”, explica Elza Helena Batista, coordenadora do grupo.

Para ela, a consciência ambiental é também um sinal de amor e preocupação com as futuras gerações. “Preservar as matas, a água, os biomas é permitir que os netos dos nossos netos também possam desfrutar da criação. Separar o lixo, poupar água e energia são gestos de amor, pois ajudam o planeta a conservar os recursos que serão necessários para as vidas futuras. A natureza existe para que todas as gerações possam desfrutá-la. A vida não é só para nossa geração, mas para os filhos de Deus que ainda virão. A CNBB percebeu isso e nas últimas Campanhas da Fraternidade está tratando do cuidado com a Casa Comum. A evangelização a partir da encíclica Verde deve incluir a responsabilidade, o cuidado e o amor pela criação como ato de louvor a Deus”.

Ações concretas

Maria José Oliveira Lima Roque é integrante ativa do grupo Fraternidade e Vida da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e faz uma reflexão sobre o tema da Campanha da Fraternidade deste ano: “Ele nos leva a conhecer os biomas brasileiros e a cuidar deles, pois são obra da criação. A devastação  tem sido enorme. Está  nos planos do Movive (entidade que há 20 anos trabalha com projetos socioambientais, como a fábrica de sabão Verde Vida, em Aribiri) realizar plantio no Morro do Moreno e nós estaremos apoiando”.

Ela explica que o grupo desenvolve várias ações individuais de conscientização socioambiental, mas que também apoia diversas iniciativas de outras entidades que têm o mesmo objetivo. “Apoiamos várias ações da sociedade civil que trabalham pela preservação ambiental e pela melhoria da qualidade de vida em nosso município. Fazemos parte do Projeto Amigos da Restinga, que está recuperando a restinga na Praia da Costa, Itapuã e Itaparica”.

O grupo realiza oficinas para divulgação das Campanhas da Fraternidade desde 2014 em escolas e equipes de Comunidades Eclesiais. E, nos últimos dois anos, realizou campanha para conscientização sobre economia de água e energia e aproveitamento de óleo usado. Entre as instituições visitadas no ano passado estão o Colégio Sagrado Coração de Maria, Colégio Salesiano e Centro Salesiano do Adolescente Trabalhador (Cesam).

Quando questionada em relação a atitudes não cristãs que agridem o meio ambiente, Maria José fala entristecida: “Uma coisa que nos espanta muito são algumas festas religiosas, como a Festa da Penha, por exemplo, e algumas situações que vemos até em festas de nossa Paróquia, onde as pessoas misturaram o lixo seco com úmido, às vezes jogam lixo no chão. Na missa de despedida de Nossa Senhora Aparecida, em julho de 2016, na Praia de Camburi, fizemos o cerco da restinga e observamos que muitos fiéis, leigos engajados e até religiosos passavam pisando na restinga com a maior naturalidade, sem respeito pelo ser vivo, criado por Deus para segurar a areia e deter a maré”.

Na opinião de Elza Helena, comportamentos não cristãos com o meio ambiente ainda são muito corriqueiros na nossa sociedade. “Infelizmente ainda ocorre com frequência em todos ambientes. Consumo excessivo da água, por exemplo. Vivemos em tempo de crise hídrica e precisamos economizar. Mesmo assim, vemos pessoas lavando calçadas e prédios com mangueira. O lixo não separado nas residências é outro exemplo. Mesmo que o caminhão da prefeitura não faça coleta seletiva, existem ao longo da orla os Postos de Entrega Voluntária, mas muitos ainda não têm o hábito de levar até lá”.

Ela dá algumas dicas de atitudes simples que podem ser adotadas no dia a dia para garantir o cuidado com a Casa Comum e os biomas, como vêm pedindo as Campanhas da Fraternidade. “Reutilizar as caixas de ovos, vidros transparentes, garrafas pet, jornais e bandejas de isopor é uma forma de preservar. Se esses itens não tiverem utilidade para você, faça doação aos feirantes da Feira Orgânica que acontece aos sábados ao lado da comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Eles reaproveitam com todo o cuidado e higiene esses materiais. Jogar lixo na restinga prejudica seu desenvolvimento e pode facilitar a erosão do solo. Sempre que for à praia, leve uma sacola para recolher o lixo gerado e depositar em local apropriado. Em casa, não descarte o óleo usado na pia. Já existem vários locais de entrega do mesmo para a fabricação de sabão que, além de proteger os lençóis freáticos, gera renda a muitas famílias”.

O grupo Fraternidade e Vida, hoje com aproximadamente 15 participantes, nasceu a partir da Campanha da Fraternidade 2011, voltada à conscientização ambiental dos cristãos. O objetivo do grupo é contribuir para a melhoria da qualidade de vida, promovendo a conscientização socioambiental dos moradores, provocando e apoiando ações que possibilitem a solidariedade através de mudança de atitudes.  As reuniões acontecem todas as quintas-feiras, às 20h30, na sala 102 no Centro Pastoral da Paróquia e todos podem participar.