“Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama o que dá com alegria” – 2Cor 9, 7

Durante o mês de julho, a Igreja celebra o dízimo e tradicionalmente realiza campanhas para sensibilizar os fiéis a respeito da importância dele. Neste ano, a Arquidiocese de Vitória traz o tema “Um gesto concreto que brota da fé” traduzindo de forma simples e direta o que significa essa atitude para toda a Igreja. Em tempos de instabilidade econômica, muitos cristãos precisaram abdicar dessa prática, o que tem impacto em toda a estrutura das comunidades religiosas.

O dízimo é um sinal visível da participação e corresponsabilidade dos fiéis na Comunidade Eclesial. Ele ajuda os católicos a desenvolver sua consciência de pertencimento à Igreja, sendo uma expressão viva da fé e gratidão a Deus, além de dar a ela condições de cumprir sua missão evangelizadora. O documento nº 106 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que trata do tema, destaca que a principal fundamentação para a prática se encontra nas Sagradas Escrituras.

“O dízimo expressa a participação da pessoa batizada na missão de anunciar o ‘Evangelho da Alegria’. Evangelização que acontece como presença da comunidade, como anúncio-palavra, como obras de misericórdia”, afirma Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário-geral da CNBB, no texto de apresentação do documento. “A retomada da reflexão sobre a importância do cultivo da vida comunitária, em chave missionária, nos ajudou a retomar também o tema do dízimo, pois é muito claro que o modo como uma comunidade sustenta a ação evangelizadora não é indiferente para seu discipulado missionário e para o seu crescimento na fé. Muito pelo contrário, os recursos de que uma comunidade dispõe e o modo como os administra têm a ver com a evangelização”, explica.

Quando traduzida em números, fica fácil compreender a aplicação do dízimo dentro das paróquias. Em linhas gerais, toda a arrecadação é distribuída da seguinte forma: 50% são administrados pela comunidade para custear despesas como água, luz, folha de funcionários e objetos litúrgicos; 37,5% são destinados ao Fundo Paroquial; 7% vão para a Mitra Arquidiocesana, 2% para o Fundo Presbiteral, que ajuda na manutenção de padres idosos e daqueles que atuam em regiões mais carentes; 1,5% para o Seminário; outros 1,5% para a Fundação Nossa Senhora da Penha; e 0,5% fica para a Área Pastoral.

Essa distribuição vem possibilitar o atendimento das três dimensões da ação evangelizadora do dízimo: pastoral, social ou caridade e missionária. A primeira diz respeito à construção, custeio e manutenção dos templos e centros pastorais; aplicação nas pastorais e na formação de seus agentes; manutenção e formação presbiteral; nas celebrações litúrgicas, catequese, aquisição de subsídios pastorais e catequéticos; além da manutenção da saca e secretaria paroquiais e folha de pagamento dos servidores da Igreja.

A dimensão social trata diretamente das ações em prol dos mais necessitados. A Arquidiocese de Vitória mantém 168 projetos sociais nos quais trabalham 464 funcionários que contam com o apoio de aproximadamente 2360 voluntários. Essas iniciativas possibilitam o atendimento de quase 22700 pessoas e cerca de 1700 famílias carentes, correspondendo a um investimento mensal de R$ 1.423.096,00 na caridade.

Na terceira e última dimensão, a missionária, está o cuidado com a continuidade das ações da Igreja manutenção das vocações. Entram aqui o custeio da Cúria Metropolitana e do Seminário Arquidiocesano; a formação presbiteral dos seminaristas; conservação e funcionamento dos veículos de comunicação da Arquidiocese de Vitória (rádios América AM/FM e FM Líder, site Aves, Revista Vitória); manutenção do Fundo Presbiteral, que ampara padres idosos e doentes, bem como os que atuam em regiões carentes e missionárias da Arquidiocese; além da aquisição de terrenos e construção de igrejas para comunidades pobres.

A Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro tem hoje 2330 dizimistas cadastrados, dos quais apenas 878 estão ativos. Aqueles que, por qualquer motivo, ficam por mais de três meses sem contribuir são considerados inativos. Esse controle e acompanhamento é realizado pela Pastoral do Dízimo, definida pela CNBB no documento 106 como “a ação eclesial que tem por finalidade motivar, planejar, organizar e executar iniciativas para a implantação e funcionamento do dízimo, e acompanhar os membros da comunidade no que diz respeito à sua colaboração, em sintonia com a Pastoral de Conjunto na Igreja particular” (n36).

Quando participou do ECC com sua esposa, Michelle, em 2013, Guilherme passou a se interessar mais pela Igreja e viu a importância de servir

Guilherme Perini Gujanwski e Michelle Soares Bressan Gujanwski têm dois filhos, Yasmin, de 8 anos, e Theo, 7. Moradores do Parque das Castanheiras, na Praia da Costa, há quatro anos, eles frequentam a comunidade Santo Antônio, onde servem na Pastoral do Dízimo. “Casamos na igreja de Santo Antônio em 2066 e, mesmo morando em Vitória, frequentávamos as missas e celebrações lá. Assim que fiz o Encontro de Casais com Cristo (ECC), em 2013, interessei-me pela nossa Igreja Católica e vi a importância de servirmos a ela. Desde então, me coloquei à disposição da comunidade”, conta Guilherme.

Para ele, servir na Pastoral é uma forma de exercer sua responsabilidade de cristão. “Já houve um tempo em que eu questionava o destino da arrecadação das igrejas, mas hoje posso afirmar que é muito mais cômodo desconfiar que se interessar e conhecer seus propósitos. O dízimo tem quatro dimensões: religiosa, eclesial, missionária e caritativa; sendo estes os destinos dos recursos recebidos. Veja, sem a contribuição dos dizimistas, seja no dizimo ou na oferta, não seria possível pagar as despesas como energia, abastecimento de água, segurança e manutenção dos ambientes, bem como, não seria possível ajudar na formação de novos padres e no sustento do Clero, ainda de forma ampla sustentar obras caritativas em todo o mundo”, destaca.

Assim como Guilherme, foi na experiência vivida no ECC que Moacyr Augusto Silva Mendes se interessou pela Pastoral do Dízimo, da qual faz parte desde 2011. “Posso assim dizer que o ECC foi um despertar para mim e me impulsionou a ter uma vida mais ativa em minha comunidade”, afirmou ele, que frequenta a Perpétuo Socorro. “Na Pastoral do Dízimo pude conhecer melhor o funcionamento das atividades pastorais de nossa Paróquia. Além de efetivamente exercer a função de agente pastoral no recebimento das contribuições e no atendimento dos dizimistas, participamos efetivamente das celebrações, pois em todas elas somos responsáveis pelo recolhimento das ofertas da assembleia”, explica.

Ao lado da família, Moacyr diz que a atuação na Pastoral do Dízimo é uma atividade de responsabilidade que demanda doação de tempo e disponibilidade

Moacyr diz que a atuação na Pastoral do Dízimo, assim como nas demais pastorais, é uma atividade de responsabilidade que demanda uma doação de tempo e disponibilidade para servir aos irmãos paroquianos, mas recompensadora. “Tenho a oportunidade de me relacionar com muitas pessoas da comunidade, o que muito me enriquece como ser humano e me torna uma pessoa melhor. Também tive a chance de estreitar laços de amizade com meus colegas da pastoral”.

“A experiência de também ser dizimista expressa, no meu entender, uma gratidão a Deus pelas bênçãos que Ele derrama em nossas vidas. Possibilita à nossa Igreja desenvolver diversas ações pastorais que certamente contribuem para alcançar aqueles que necessitam conhecer melhor a Boa Nova, proporcionando um convívio mais íntimo com o Nosso Senhor Jesus Cristo”, acrescenta.

Para a paroquiana integrante da Pastoral da Pessoa Idosa, Virgília Laranja, doar o dízimo representa um gesto de amor e de agradecimento à misericórdia de Deus. “Na vida precisamos partilhar. Há mais de 10 anos tenho retribuído o que gratuitamente recebemos d’Ele e me sinto gratificada. O dízimo fortalece a obra da Igreja e das comunidades”, afirma.

José Isaac de Santana Bastos, de 46 anos, frequenta a Santa Luzia desde 2012, ano em que passou a morar próximo à comunidade. Ao participar do Encontro de Casais com Cristo, foi motivado a buscar uma pastoral em que pudesse contribuir. Após buscar informações sobre cada uma que existe na Paróquia, se identificou com a Pastoral do Dízimo, onde atua há cinco anos e da qual é o atual coordenador em sua comunidade.

“Servir na Igreja é fazer parte do discipulado de Jesus Cristo, é contribuir verdadeiramente com sua obra. Em relação aos dizimistas, tenho um verdadeiro sentimento de gratidão, pois com suas contribuições mensais eles ajudam efetivamente a nossa Igreja na sua missão evangelizadora”, enfatiza. A dedicação ao serviço na Igreja é uma característica forte em sua casa. Letícia Angélica Santos Moura Bastos, sua esposa, seguiu o mesmo caminho e, além de dizimista, engajou-se na Pastoral do Batismo e hoje em dia é responsável pela coordenação da equipe na Santa Luzia.

SEJA UM DIZIMISTA

 A Igreja recomenda que todo católico que possui renda seja dizimista. O dízimo é uma relação pessoal de fé e gratidão a Deus. Assim, se em uma família houver, por exemplo, três pessoas que tenham renda, cada uma deverá ser dizimista segundo seus rendimentos. A recomendação é para que o dizimista estabeleça um percentual entre 1% e 10% e aplique-o sobre sua renda para determinar o valor de seu dízimo.

A entrega da contribuição deve ser sempre por ocasião da renda do dizimista. Ou seja, se sua renda for mensal, seu dízimo também será. Se sua renda for ocasional, como no caso de alguns profissionais liberais e agricultores, o recolhimento da devolução ocorrerá com a mesma periodicidade. Cada cristão deve entregar ou devolver seu dízimo na Comunidade Eclesial em que participa. Basta procurar a Pastoral do Dízimo e fazer o seu cadastro.