A dia solene é uma homenagem à vitória brasileira na Batalha Naval do Riachuelo, travada contra o Paraguai em 1865

Anualmente, a Marinha do Brasil comemora, no dia 11 de junho, o mais importante embate da armada nacional durante a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), envolvendo, de um lado, Argentina, Brasil e Uruguai, e do outro, o Paraguai. Sob o comando do Almirante Francisco Manoel Barroso da Silva, em 1865, coube ao Brasil a responsabilidade pela condução das operações navais do maior conflito militar na América do Sul.

O marco histórico às margens do rio Riachuelo, um afluente do rio Paraguai, na província de corrientes, na Argentina, assegurou o bloqueio às forças paraguaias, bem como a livre navegação nos rios da região do Prata. Embora a guerra tenha se prolongado até 1870, a vitória brasileira foi determinante, já que a esquadra paraguaia foi praticamente dizimada.

Desde então, a Marinha do Brasil comemora há 152 anos os feitos heroicos das tropas de marinheiros e fuzileiros que lutaram e morreram pela soberania e independência do Brasil na Batalha Naval do Riachuelo, reconhecendo-os como exemplos e lembrando seus atos às gerações que os sucederam.

Para preservar a memória da data estarão presentes na solenidade do dia 11 de junho, o Comandante da Capitania dos Portos do Espírito Santo, Capitão de Mar e Guerra, Luis Eduardo Soares Fragozo e o Comandante da Escola de Aprendizes e Marinheiros do Espírito Santo (Eames), Capitão de Fragata Fábio Casaes Passos, para leitura da “Ordem do Dia”. Na tradicional cerimônia, também está programada a promoção de militares e a entrega de medalhas, além da apresentação da Banda Marcial da Marinha.

A Batalha e seus antecedentes

A importância da Batalha Naval do Riachuelo está relacionada com o bloqueio dos rios que davam acesso à região do conflito, dificultando a movimentação das tropas paraguaias, facilitando o avanço das tropas aliadas e impedindo que o Paraguai recebesse navios e armamentos do exterior.

Após sua independência, o Paraguai manteve-se isolado e afastado dos conflitos na Bacia do Rio da Prata, porém, tornou-se mais atuante na década de 1850, quando adquiriu navios armados para formar sua Marinha.

A intervenção brasileira no Uruguai em 1864 contrariou os planos políticos e as alianças do Paraguai, que considerou as ações brasileiras no Uruguai como um ato de guerra. O Paraguai iniciou as hostilidades com o aprisionamento do Vapor Marquês de Olinda no Rio Paraguai e a invasão da Província do Mato Grosso. Como lhe foi negada a permissão para que seu exército atravessasse o território argentino para atacar o Rio Grande do Sul, invadiu a Província de Corrientes, envolvendo a Argentina no conflito.

Em 1º de maio de 1865, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram o Tratado da Tríplice Aliança contra o Governo do Paraguai. Mobilizado desde 1864, o Paraguai contava com o apoio do partido Blanco Uruguaio e esperava que as lideranças das províncias argentinas próximas à fronteira se juntassem às suas forças. O ditador paraguaio Francisco Solano López também acreditava que teria boas chances de vencer em uma guerra rápida.

A vitória do comandante da esquadra brasileira, Almirante Barroso, ocasionou ao Brasil o domínio das comunicações fluviais e o pleno controle sobre os rios adjacentes, como o Paraná e o Paraguai, garantindo ao Brasil um futuro econômico atrelado ao escoamento de produtos por meio dos rios.

Batalha do Riachuelo, como ficou conhecida, resultou em uma série de imprevistos e manobras estratégicas e afirmou a Marinha do Brasil como uma potência importante na América do Sul.

Vida cristã na Marinha

Com fé, confiança e entrega a Deus, o Capelão João Ricardo de Oliveira Ventura tem se dedicado à vida cristã na Escola de Aprendizes-Marinheiros do Espírito Santo (EAMES) – Marinha do Brasil. Desde janeiro de 2014, ele contribui para o processo de formação moral,  ética e social dos integrantes da organização militar.

O sacerdote conta que em suas atividades diárias presta assistência católica e evangélica a oficiais, alunos e seus familiares em diversas situações da vida e que gosta de professar sempre o texto bíblico: “No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo!” (João 16,33). Segundo ele, precisamos ter a convicção de que as aflições são momentâneas e que a coragem em Deus é gerada pela oração.

Os acolhimentos são realizados de forma individual e coletiva para manter a harmonia do ambiente militar. Nas terças-feiras acontece a missa para os católicos na Capela Militar Santo Antônio. Após a celebração, o Capelão disponibiliza um momento para direção espiritual e confissão dos aprendizes-marinheiros.

“Com a rotina atarefada que temos na Marinha, poder participar das missas tocando um instrumento musical é gratificante. Ter essa assistência religiosa do Capelão para confissão não tem preço. Lembra-nos que Deus está conosco a todo o momento. Desde pequeno aprendi com a minha avó a oração de São Miguel Arcanjo. Tive fé e realizei o meu sonho de ser militar”, contou Lucas Luzório da Silva Barcellos, 19 anos, que é de Magé (RJ).

Já nas quartas-feiras, são realizados cultos para os evangélicos e, aos domingos, a capela é aberta ao público para a missa das 9h. “Participar do culto tem me ajudado a continuar nos caminhos de Deus. Com a família distante, esse é um momento para a nossa integração. A paz espiritual tem iluminado os meus dias e me dá a oportunidade de dedicar o meu amor ao próximo, assim como diz João 3:16: ‘Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna’”, afirmou Gabriel de Moraes Fontes, 21 anos, de São João de Meriti (RJ).

Outra atuação religiosa da EAMES é na Romaria dos Militares. Em homenagem a Nossa Senhora da Penha. Junto com o Exército, bombeiros e policiais todos seguem em procissão rezando o terço da Prainha até o Campinho no Convento para a missa do Oitavário. “Embora seja a romaria dos militares ela acolhe a todos. Na última edição participaram 200 pessoas”, afirma padre Ventura.

A EAMES, por meio do Capelão, também colabora com as paróquias da Arquidiocese de Vitória na celebração de Corpus Christi, missas e casamentos.

Capelão Ventura

Natural de Duque de Caxias, município do Rio de Janeiro, Padre Ventura ingressou na Marinha no Rio de Janeiro, em 2012. No ano seguinte, concluiu o curso de formação de oficial sendo designado para atuar na assistência religiosa da EAMES, em 2014. Com formação em Teologia pelo Seminário Diocesano de Petrópolis, possui Licenciatura em Filosofia, Pós-graduação em Teologia Fundamental e Mestrado em Educação pela Universidade Católica de Petrópolis.