Para ser um bom padre é preciso, antes de mais nada, ser homem. Ao optar por seguir a vocação sacerdotal não nos tornamos melhores que ninguém, mais puros, mais santos ou sem defeitos. Ao contrário, escolhemos buscar a santidade apesar dos defeitos.

Ser padre é estar perto, é ter empatia, é se preocupar, mais que isso, é se importar, verdadeiramente, com o próximo. É crer e anunciar a Boa Nova de Cristo a todos aqueles que precisam dela. É consolar, orientar, acolher, ouvir. Impossível fazer isso se nos distanciarmos da nossa humanidade. O que me aproxima de Deus, do divino, é exatamente o que há de mais humano em mim.

É justamente quando reconheço minhas falhas e fraquezas que dou a oportunidade de o Espírito Santo de Deus agir em mim e através de mim. Quanto mais homem me vejo, mais percebo o quanto preciso estar na presença de Deus e me colocar a Seu serviço.

Fé e boa vontade não são garantias de ordenação. Para anunciar é preciso, antes de mais nada, renunciar. “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-se” (Mt 16, 24). Ser padre é também saber sofrer os reveses da vida. Como disse o Papa Francisco: “toda vocação exige um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho”. Esta cruz que, sim, pesa às vezes, carrego com prazer e muito amor.

A vocação nem sempre esteve presente na minha vida ou, pelo menos, eu achava que não. Demorou muito tempo para que eu entendesse o real propósito de Deus na minha vida por meio desse chamado tão difícil e tão feliz ao mesmo tempo. O seminário, por meio dos estudos, da orientação e das faculdades de Filosofia e Teologia, me formou. A Igreja, por intermédio do meu bispo, me ordenou. Mas foi a vida em comunidade e o servir que me tornarem padre. Eu achava que tinha escolhido a Deus. Ledo engano. Ele que me escolheu. Não por quem sou, mas apesar de quem sou.

“Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e que vosso fruto permaneça”. (Jo 15, 16)