No último dia 01 de janeiro, prefeitos eleitos tomaram posse na maioria das cidades brasileiras. Em seus primeiros discursos, muitos deles já adiantaram alguns dos principais planos para os municípios. Diante disso, a equipe da Panorama conversou com o prefeito de Vila Velha, Max Filho, que destacou seus principais projetos para a cidade. Acompanhe a entrevista:

Panorama: Qual sua prioridade nº 1 para Vila Velha?

Max Filho: Equilibrar as contas da prefeitura para atravessar este momento de crise aguda que se abate sobre a economia do país, com seus reflexos na queda de arrecadação dos entes federados.

Como o senhor pretende fazer isso?

Não é momento de falar em aumentos de gastos. Nossa equipe de transição está debruçada sobre as contas da prefeitura. Reduzir contratos, enxugar gastos desnecessários, supérfluos, para priorizarmos o que é mais importante para a população, como a educação e a saúde, por exemplo. Nosso programa de governo fala de criatividade e boa gestão, ou seja, dos poucos recursos disponíveis para tirar o maior proveito para o bem-estar da comunidade.

O que pretende fazer para melhorar a segurança da cidade?

Nosso objetivo é promover uma maior integração da Guarda Municipal com as polícias Civil, Militar e Federal, no sentido de haver sinergia capaz de trazer maior segurança ao município. Pretendemos também construir uma infraestrutura de acessibilidade aos bairros da periferia para que as viaturas possam circular com maior frequência, e buscar, de forma obstinada, a redução dos índices de violência. A cultura e o esporte também são fundamentais para a retomada dos espaços públicos, assim como a disponibilidade de rede wi-fi em praças, em ambientes importantes da cidade, para recuperar o convívio social nos espaços públicos urbanos. Queremos que as famílias voltem a frequentar esses locais, afugentando a frequência daqueles mal intencionados.

Quais são os planos para o bairro Praia da Costa?

A Praia da Costa é o bairro mais populoso de Vila Velha, então é preciso trabalhar melhor a acessibilidade das pessoas, a ordenação do espaço público na região. Temos que investir na menor circulação de veículos, implantando sinalização vertical inteligente para melhorar o fluxo de carros na região, com o objetivo de um foco na segurança do pedestre e na qualidade de vida do morador. Vamos dialogar com o Governo Estadual sobre a melhoria do acesso à Terceira Ponte, para que tenha fluxo mais célere, sem tantos engarrafamentos, que impactam negativamente.

O Governo do Estado chegou a discutir projetos para a melhoria da Terceira Ponte, como a implantação de cabines de pedágio em Vila Velha, e também de uma terceira faixa na Ponte. O que o senhor pensa disso?

Sou entusiasta não da praça de pedágio em Vila Velha, mas da terceira faixa na Terceira Ponte, que pode ser móvel, atuando com cones que vão se alternando de acordo com o fluxo de veículos. Elas vão retirando a mureta central e alternando o sentido da faixa conforme o horário de pico. Pretendo retomar o diálogo com o governo em torno desta pauta.

A Secretaria de Patrimônio da União (SPU) está iniciando as discussões sobre a demarcação dos terrenos de marinha em Vila Velha. Qual a sua posição em relação a este assunto?

Solidária aos moradores que hoje estão ameaçados por essa cobrança descabida, absurda e inoportuna. Estive com o ministro do planejamento, Diogo Oliveira, ao lado da bancada capixaba, e o ministro acolheu nossa manifestação com simpatia.Estaremos de novo em outra audiência com ele em torno desse assunto, onde esperamos já ouvir dele uma manifestação mais firme no sentido de interromper esse processo de demarcação anunciado em Vila Velha. Não vai ser com taxa de marinha que o Governo Federal vai resolver o problema de ajuste fiscal da União porque o que a União recebe de taxa de marinha é menor do que a arrecadação de uma prefeitura como a de Vila Velha.  É um gesto inútil e não vai se sustentar. O Governo vai recuar, tenho certeza.

Vila Velha ainda sofre com os alagamentos. Como pretende resolver este problema?

Os moradores da Rua Dom Jorge de Menezes sabem que este é um problema que pode ter solução, a exemplo da galeria que construí lá. É preciso boa manutenção e limpeza nas galerias existentes e é necessária a construção de novas galerias em outras regiões, que, aliadas às redes de bombas que o Estado tem ajudado o município a implantar, possam minorar os efeitos em dias de muita chuva.

Quais são os projetos para a educação? E para a saúde?

São duas áreas bastante sucateadas hoje em dia. É preciso reestruturar os programas existentes, fortalecê-los. Na saúde, ampliar a cobertura dos serviços para regiões onde ainda não é satisfatório o atendimento. E na educação, o foco será resgatar a autoestima do magistério, recuperar melhor desempenho junto ao IDEB no Ensino Fundamental e reduzir o gigantesco déficit ainda existente na rede municipal de ensino infantil, de 0 a 5 anos.

A coleta seletiva existe em alguns pontos da cidade. No site da prefeitura, a informação é de que está presente em 79 condomínios da Praia da Costa. O senhor pretende ampliar essa destinação seletiva do lixo?

A gestão do lixo é questão importante para a cidade, mas vamos avançar na medida da disponibilidade. A prefeitura está em nova licitação, então vamos examinar o contrato.  A cidade vai ser chamada a discutir na ocasião oportuna. Ainda estamos levantando as informações, pois a prefeitura não nos passou os dados dos contratos de limpeza pública.

A comunidade da Praia da Costa utiliza muito a orla para a realização de eventos esportivos, culturais e religiosos, como missas ao ar livre. Como o senhor vê essas iniciativas? Existe alguma restrição a esse tipo de evento, principalmente aos religiosos?

Devemos sempre ouvir a comunidade, dialogar com a comunidade. São eventos já incorporados ao calendário de eventos do município.