Na história recente da Igreja Católica, são inegáveis a importância e liderança dos papas João Paulo II, Bento XVI e Francisco. E esta relevância vai além do universo católico, mas atinge fiéis de outras denominações religiosas, países, líderes mundiais e, em muitos momentos, suas palavras foram ouvidas nos campos da política, economia, família, educação, esportes, cultura, bioética, ajuda humanitária, entre outros.

Os três papas também tiveram sua atenção especial para os meios de comunicação e uso das novas tecnologias. Atenção esta demonstrada nas mensagens para o Dia Mundial das Comunicações Sociais (DMCS), uma data estabelecida pelo decreto Inter Mirifica, em 1966, documento fruto do Concílio Vaticano II. A celebração acontece tradicionalmente no domingo que precede a Solenidade de Pentecostes e, para a ocasião, uma mensagem dos pontífices é publicada na memória de São Francisco de Sales (24 de janeiro), patrono dos jornalistas.

Em seus discursos, João Paulo II, Bento XVI e Francisco ressaltaram a presença da Igreja e dos fiéis no mundo digital e apontaram o potencial e força das novas ferramentas para a proclamação do Evangelho.

João Paulo II, na mensagem para o 36º Dia Mundial, em 2002 – quando a era digital ainda estava nos seus marcos iniciais – destacou que a internet seria a “janela para o mundo”, onde as possibilidades conhecimentos, informações e relações se multiplicam, e pode “oferecer magníficas oportunidades de evangelização”. Neste ponto, o Santo Padre enfatiza que apenas com a manifestação do rosto de Cristo é que a internet será “um espaço autenticamente humano, porque se não houver lugar para Cristo, não haverá lugar para o homem”.

Já o Papa Bento, no texto para o 43º DMCS, em 2009, chamou as novas tecnologias como um “dom para a humanidade” porque podem favorecer de forma abrangente e verdadeira a compreensão e a solidariedade humana, além de representarem o desejo de comunicação e amizade inerente à natureza humana. À luz da pregação evangélica, as inovações tecnológicas representariam o anseio de aproximação e de tornar toda a humanidade uma única família, “uma vocação que está gravada na nossa natureza de seres criados à imagem e semelhança de Deus, o Deus da comunicação e da comunhão”.

Com isso, a nova “arena digital” permite colocar em diálogo pessoas de diferentes países, culturas e religiões, contudo, como ressalta o pontífice, deve ser um local de busca da verdade e que não se limita apenas às amizades digitais. A interação também necessita ser presencial e as tecnologias não podem roubar o tempo da família, repouso, silêncio e reflexão.

Nesse sentido, as palavras de Bento XVI estariam afinados com as de seu sucessor, Papa Francisco. Na mensagem para o 48º Dia Mundial, Francisco desenvolve uma das expressões mais marcantes de seu pontificado: a cultura do encontro. Utilizando-se da parábola do bom samaritano, Francisco afirma que Jesus inverte a perspectiva: não se trata de reconhecer o outro como um meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro. Deste modo, o campo cibernético permite esta aproximação e que a Igreja seja a casa de todos também aí. Não somente fluxo de informações ou bombardeio de mensagens religiosas, mas reflita um local onde há a vontade de se doar com disponibilidade para acolher respeitosamente o outro com suas particularidades, dramas, anseios, dúvidas, busca da verdade e do sentido da existência humana.

Um caminho de crescimento que envolve toda a Igreja, papas, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos. Assim, somos todos peregrinos de uma mesma “estrada digital”, em que as conexões atingem altas velocidades, mas a comunhão deve ter sempre sua prioridade e concretização.