Quando chegamos em nossas comunidades para celebrar, não temos ideia do caminho percorrido pela Pastoral Litúrgica, responsável por preparar as celebrações. Um servir que requer dedicação, zelo, disciplina, amor e, principalmente, formação permanente. Cabe a essa pastoral fazer com que toda a assembleia participe de forma consciente, ativa e frutuosa das celebrações, alimentando-se do pão da Palavra e da Eucaristia, para que se sintam preparados e animados a exercerem seu papel de cristãos batizados no mundo.

Para ajudá-la, o liturgista e pedagogo Pe. Luiz Eduardo P. Baronto, salesiano, membro da “Rede Celebra” de formação litúrgica popular, publicou o livro Preparando passo a passo a celebração: um método para as equipes de celebração das comunidades. Baseado nele, de forma sucinta, indicamos os principais passos para uma boa preparação da celebração, garantindo celebrações litúrgicas de boa qualidade: teológica, ritual, espiritual, pascal e pastoral, fazendo a ligação entre Liturgia e vida.

 Passo 1: Pedir as luzes do Espírito Santo

A reunião para a preparação da celebração deve começar, antes de tudo, com uma súplica ao Espírito Santo. É ele que age na celebração litúrgica. Por isso, é a ele também que devemos pedir as luzes quando nos reunimos para preparar a celebração. Trata-se de um passo fundamental. Sem ele, correríamos o risco de preparar celebrações cheias de sugestões e criatividade, mas vazias de espiritualidade. Portanto, iniciar a reunião com uma oração ou algum canto ao Espírito Santo.

Passo 2: Avaliar a celebração passada

Estamos sempre nos aperfeiçoando. É o caminho da conversão evangélica também nas celebrações. Por isso, no passo seguinte faz-se a memória da última celebração com o objetivo de melhorar as próximas.

Sugestão de roteiro para avaliação na reunião da equipe:

  1. a) A celebração foi, de fato, um acontecimento marcante na vida da comunidade?
  2. b) A assembleia sentiu-seenvolvida no mistério celebrado?
  3. c) Os cantos, símbolos, ritos, orações… ajudaram a expressar o Mistério do dia?
  4. d) Houve comunhão de sentimentos, de interesses entre assembleia e equipe; assembleia e presidência; equipe e presidência?
  5. e) Sentimos prevalecer um clima orante em nossa celebração? O que ajudou? O que prejudicou?
  6. f) Os ministros agiram à maneira de Jesus?
  7. g) Como a vida e osacontecimentos importantes da comunidade entraram na celebração?

 

Passo 3: Situar a celebração no tempo litúrgico e na vida da comunidade

Este passo se baseia em duas perguntas fundamentais: “Qual o Mistério que celebramos?” e “Qual a relação entre esse Mistério e a vida da comunidade?”.

Primeiro recorda-se a data em que a celebração vai acontecer, bem como se recorda o tempo litúrgico no qual a celebração é situada. Então, se pergunta pelo Mistério que vamos celebrar tendo como raiz sempre o Mistério Pascal de Cristo. É preciso, também, colocar as raízes do Mistério da Páscoa de Jesus no Mistério Pascal da vida da gente.

 Para tanto, é preciso que a equipe recorde os acontecimentos da comunidade:

  • Eventos sociais e religiosos
  • O dia-a-dia da comunidade e da região
  • Ocorrências nacionais e internacionais

Passo 4: Fazer a experiência da Palavra

Agora se procede à leitura dos textos bíblicos propostos, aprofundando-os.

Perguntar:

  1. Quais são os personagens do Evangelho?
  2. O que e para quem falam?
  3. Qual a Boa Nova ou o apelo que Jesus traz?
  4. Qual imagem pascal aparece?
  5. O que há de comum entre o Evangelho e a Primeira Leitura?
  6. Como o Evangelho nos ajuda a entender a mensagem da Primeira Leitura? Ler também o Salmo responsorial e a Segunda Leitura, comentando.
  7. O que a Palavra diz para nossa vida?
  8. Qual a conversão que a Palavra nos pede?
  9. Que sinais de salvação e de perdição ela indica em nossa vida, na vida das comunidades e do povo em geral?

Passo 5: Exercício de criatividade

“À luz dos passos anteriores – vida da comunidade, tempo litúrgico, Palavra de Deus – procura-se, num exercício de criatividade, fazer surgir ideias para os diversos momentos da celebração, mesmo sem ordem, à maneira de uma tempestade mental. Selecionar depois as ideias a respeito de ritos, de símbolos, de cantos, para os ritos de entrada, ato penitencial, gesto da paz, proclamação das leituras etc”. (CNBB, Documento 43, n. 226)

Passo 6: Elaborar o roteiro

Em seguida, “passando em revista as diversas partes da Missa, escolhem-se os cantos e ritos para cada momento, registrando numa folha-roteiro, que servirá de guia para os diversos ministros”. (ibid., n. 227)

Passo 7: Distribuir os ministérios

Muitas equipes precipitam-se e começam a reunião dividindo as funções. Esse não é o melhor caminho, pois, a preparação de uma celebração não se resume a um simples distribuir de tarefas. Trata-se de um processo comunitário de oração e discernimento, que deve alcançar o objetivo de expressar e viver o Mistério da Páscoa de Jesus na comunidade reunida. Um ministério litúrgico deve ser sempre desempenhado tendo presente a imagem do Cristo Servidor de todos.

Passo 8: Ensaiar as ações simbólicas

É preciso ensaiar cada passo, rito, ação simbólica e cantos que foram escolhidos pela equipe, com as pessoas envolvidas, no lugar onde se realizará a celebração. Não basta imaginar o lugar, mas ir até lá para realizar, o mais proximamente, como faríamos se estivéssemos vivendo a própria celebração.

 A ‘regrinha de ouro’ da liturgia: “é preciso saber unir a ação corporal (palavras, músicas, gestos) ao seu sentido teológico-litúrgico e a uma atitude interior que o Espírito suscita na gente através da ação que vamos realizar”. (ibid., p. 33)

Isso vale, sobretudo, para a proclamação da Palavra: os ministros da Palavra “deveriam sempre evitar pegar de última hora o texto que irão proclamar. Eles têm uma responsabilidade muito grande, pois irão comunicar aquilo que Deus quer dizer à comunidade. Por isso, não se trata de executar uma leitura qualquer, mas de emprestar a sua voz, o seu olhar, as suas mãos, o seu corpo para que a mensagem de salvação chegue à comunidade reunida”. O bom seria que os leitores participassem “da reunião de preparação das celebrações, porque terão oportunidade de aprofundar melhor o contexto e o significado de cada leitura. Dessa forma, poderão também expressar melhor os sentimentos que o autor tinha no momento em que escreveu aquele determinado texto”. (ibid., p. n.º 34)

Com esses passos as equipes podem aprimorar e otimizar as reuniões de preparação das celebrações, tornando-as cada vez mais um encontro pleno com a Trindade Santa.