“Prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus” – Filipenses 3:14

Em agosto, a Igreja celebra as vocações: sacerdotal, diaconal, religiosa, familiar e leiga. É um mês voltado para a reflexão e a oração pelas vocações e os ministérios, de forma a pedir a Deus sacerdotes que sejam verdadeiros pastores e sinais de comunhão e unidade no seio da Igreja. Vocação é um termo derivado do verbo vocare que, em latim, significa chamar. Em um sentido mais preciso, é um chamado a partir da pessoa de Jesus, que convida a segui-Lo.

Para refletir sobre este tema, a revista Panorama foi até o Seminário Nossa Senhora da Penha para conhecer as histórias de alguns seminaristas em suas caminhadas de fé e entrega ao chamado divino.

Apesar de sentir o chamado de Deus desde a infância, Éder demorou a discernir sua vocação.

O amor pela vocação sacerdotal já estava escondido em Éder Hoffmam Daniel, 21 anos, desde a infância. Contudo, a decisão de ingressar no seminário custou a chegar. Educado na fé católica, cresceu ao exemplo dos pais, que serviram em diversas pastorais da comunidade de que participavam. Mesmo assim, teve dúvidas de sua vocação; muitas das quais, confessa, não sumiram ainda. Entretanto, afirma que são elas que o impulsionam na fé: “A vocação não é nossa, mas de Deus. Se confiarmos nossa vida, não importa quais sejam as dúvidas ou dificuldades, Ele nos ampara e nos dá as respostas de que precisamos”.

Éder acredita que o grande desafio está em escutar a verdadeira voz de Deus. “Vejo que o mundo gosta de enganar os jovens com falsas promessas. A alegria do mundo é efêmera; a de Deus, pelo contrário, é eterna. Uma decisão importante para a própria vida, sacerdotal ou matrimonial, deve estar fundada em valores que não passarão jamais”, fala. Morar no seminário foi um pouco complicado no começo, deixando o conforto de casa, mas foi se acostumando e, hoje, pensa estar bem adaptado. Ele espera ser um bom padre, que ama muito a Deus e capaz de anunciar Seu amor a todos.

Apesar do receio de contar para a família sobre seu desejo de ser padre, Jonatan conta que recebeu muito apoio, especialmente de sua mãe.

Foi aos 17 anos que Jonatan Rocha do Nascimento, hoje com 28, começou a perceber os sinais de sua vocação. Na ocasião, ele tinha acabado de ingressar no curso de Direito. A fim de verificar se o chamado era autêntico, decidiu cursar a faculdade e se, ao final, o desejo permanecesse, buscaria orientações. Quanto mais passavam os anos, mais intensa e clara era a determinação em buscar sua verdadeira vocação. Foi quando pediu orientação ao padre Vadaike, na época, seu pároco na Paróquia São João Batista.

Sua família jamais soube do seu desejo de ser padre, pois teve medo de sua mãe não aceitar. Porém, a reação foi imensamente melhor do que imaginava e Jonatan encontrou muito apoio, sobretudo, dela que até hoje permanece ao seu lado. “Deixar a família é sempre algo doloroso, porque criamos a ilusão de que nunca mais tornaremos a nos ver. Mas, se temos a compreensão e o carinho dela, essa névoa se desfaz e prosseguirmos com maior liberdade”, desabafa.

Foi assim que, em 2015, ingressou no Propedêutico. “Espero ser um sacerdote segundo o coração de Deus, que faz avançar o Seu amor sobre a terra, e cooperar para que no Seu povo cresça na fé, na esperança e na caridade. Como a abelha alimenta-se do mel que produz, eu, como sacerdote, um dia espero poder alimentar-me do bem a ser produzido pelo sacerdócio de Cristo, levando esperança onde impera o desespero, e levando Deus onde Ele, ainda, não é bem-vindo”, declara.

Foram necessários 33 anos para que o seminarista Alessandro Rebonato, 40, percebesse quais eram os planos de Deus para sua vida. O início da transformação se deu em 1994, quando, participando do Grupo de Oração em sua comunidade, teve uma forte experiência com Deus, que o levou a uma entrega profunda ao serviço na comunidade. “Comecei a refletir sobre o que Ele queria para minha vida. Partilhando com meu pároco, sugeriu que eu fizesse um encontro vocacional. Relutei um pouco e durante uns dois anos fiquei atento aos sinais de Deus. Em 2013, participando de um encontro de espiritualidade, cresceu em mim um desejo enorme de procurar o seminário para discernir minha vocação. Fiz os encontros naquele mesmo ano e entrei para o Propedêutico”, conta.

Apesar de ter uma vida intensa de serviço na Igreja, foi apenas com 33 anos que Alessandro descobriu sua verdadeira vocação.

Alessandro lembra que seus pais, que sempre foram atuantes na Igreja, se emocionaram muito quando disse do seu desejo de fazer um caminho vocacional. Eles o incentivaram e deram total apoio, assim como os amigos da comunidade de que fazia parte. Mas as mudanças não foram fáceis. “Quando decidi ir para o seminário, tinha uma vida muito independente e morava sozinho. No começo, a vida em comunidade foi muito difícil. Mas, graças a Deus, sempre fui muito aberto ao novo. Dentro do seminário temos uma rotina que nos faz refletir todos os dias qual é a vontade de Deus para nossa vida. As orações, as amizades, os estudos e a vivência comunitária são os meios e oportunidades para o moldar de Deus”.

Para ele, as dificuldades existem para todos, mas quando são vividas dentro de um projeto de vida, ou seja, dentro dos planos de Deus, elas são fontes de renovação espiritual. “Tenho cada vez mais consciência do plano de Deus na minha vida, por isso conto todos os dias com a Sua graça para fazer uma boa formação. Reconheço que sozinho não poderei seguir adiante, pois sei das minhas fraquezas e limitações. Somos assistidos constantemente por diretores espirituais, eucaristia diária e confissões, possibilitando-nos uma vida cristã e favorecendo um crescimento espiritual. Sou muito feliz, não me vejo hoje fazendo outra coisa. Estou me preparando para ser um padre da Igreja e para a Igreja. Um padre conforme o coração de Jesus. Conto, desde já, com as orações de todos para que a vontade de Deus seja feita na minha vida e que eu seja sempre fiel a Ele”, finaliza.