Gratidão

 

Por: Paulo Soldatelli

“Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” (I Tessalonicenses 5,18)

Em 2016, a palavra gratidão se popularizou no Brasil, aparecendo em postagens de Whatsapp, de Facebook, de e-mails. Somente no Instagram, a hashtag #gratidão teve mais de 3,8 milhões de menções.

No dia a dia, utilizamos variações da palavra gratidão com diferentes significados: bênção (recebi uma graça), agradecimento (graças aos céus); delicadeza (ela é uma graça), humor (ele é engraçado), gratuidade (algo que é de graça).

Para os cristãos, a gratidão a Deus é uma das características mais importantes da fé. Ser grato é uma forma de reconhecer que Deus está no controle e que todas as coisas que nos acontecem são para o nosso próprio bem.

São tantos motivos para agradecer:

– A vida e os cuidados de Deus para conosco;

– A ceia eucarística e a salvação realizada em Jesus;

– A possibilidade de participar da Igreja, fonte de fraternidade e de amadurecimento espiritual;

– Nossa família e nossos amigos;

– As oportunidades que temos de aprender e aumentar nosso conhecimento;

– A capacidade de trabalhar e de ser útil à sociedade;

– Os bens que conquistamos com nosso trabalho e com a ajuda da nossa família;

– As alternativas que existem para buscarmos uma vida saudável, mesmo com nossas limitações e dificuldades;

– O planeta maravilhoso que Deus nos deu para viver, para cuidar, para construir um ambiente de felicidades.

A todo instante, temos motivos para dar graças. Assim pensa a paroquiana Michelle Soares Bressan Gujanwski, que completa 43 neste mês, catequista e da equipe Pequeninos do Senhor. “Amo ser grata. Até cuidando dos filhos, varrendo minha casa e fazendo comida, fico a todo momento em sintonia com Deus agradecendo”. Para Michelle, a gratidão é estar feliz em plenitude com as graças que recebemos. “Ser grato é agradecer… ou seja, fazer ‘a graça descer’! Isso é bênção! E junto com a fé, é um milagre diário!”. Para ela, é preciso ter gratidão, mesmo antes de receber. “Isso é ter fé também! Crer sem ver, e sabemos que basta acreditar, que a porta irá se abrir, não é!?!?”

A ingratidão do Povo de Deus

Na história de Israel, nem sempre o povo judeu foi grato a Deus. Deus libertou os israelitas da escravidão, abriu o Mar Vermelho para que eles pudessem escapar do exército egípcio, os conduziu, alimentou, deu-lhes água e prometeu conquistar para eles uma terra onde manava leite e mel. Para um povo que poucos meses

antes era escravo dos senhores egípcios, era bom demais para ser verdade. Mas no caminho para a Terra Prometida, o povo constantemente resmungava e se queixava.

Eles nunca estavam satisfeitos com o que o Senhor tinha providenciado. Reclamavam que o alimento era enjoativo, sem a variedade que eles tinham no Egito. Em mais de uma ocasião desejaram voltar à terra da escravidão.

A queixa dos israelitas parece absurda. Depois de tudo o que o Senhor tinha feito por eles, deviam estar transbordantes de gratidão. O salmista adverte: “Desprezaram a terra aprazível e não deram crédito à sua palavra; antes, murmuraram em suas tendas e não acudiram à voz do Senhor.” (Sl 106,24-25).

Hoje, também vemos pessoas insatisfeitas e amarguradas porque alguma coisa não está saindo como esperavam. Mas será que essas pessoas deveríamos ser gratas mesmo nas adversidades?

O Salmo 107 responde: “Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom, e a sua misericórdia dura para sempre.”!

Quando expressamos gratidão a Deus, inclusive nas dificuldades, estamos deixando o egoísmo de lado, estamos deixando de dar prioridade para nosso problema. Jesus alimentou mais de quatro mil pessoas com apenas sete pães e alguns peixes. “Tomou os sete pães e os peixes, e, dando graças, partiu, e deu aos discípulos, e estes, ao povo. Todos comeram e se fartaram…” (Mateus 15,36)

Jesus não reclamou por não ter o suficiente para alimentar mais de quatro mil pessoas. Mas foi grato pelo que tinha, por aquilo que Deus fez chegar às suas mãos. A provisão sobrenatural e os milagres são gerados quando existe uma atmosfera de gratidão.

Gratidão e fazer o bem

Geralmente somos gratos, quando algo de bom acontece em nossas vidas. Paulo fala de uma forma diferente. Em 2 Coríntios 8,1-7, ele conta que, quando os cristãos em Judéia estavam passando por muitas dificuldades, a comunidade da Macedônia, que também vivia com dificuldades, logo se prestou em ajudá-los. A graça concedida não foi o livramento das tribulações, nem bênçãos financeiras para resolver o problema da pobreza. A graça concedida aos pobres da Macedônia foi o privilégio de poderem tirar dinheiro dos seus bolsos para ajudar outros pobres!

Na carta aos filipenses, Paulo destaca outra graça: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele, pois tendes o mesmo combate que vistes em mim e, agora, ouvis que é o meu” (Filipenses 1,29-30).

Paulo aprendeu a ser grato, mesmo quando as coisas não pareciam favoráveis a ele. “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4, 11-13).

Gratidão e louvor andam sempre juntos; quem é grato, louva. Louvar é aplaudir, elogiar; portanto, quando louvamos a Deus, estamos declarando nossa gratidão, e reconhecendo que ele é bom, e o que ele faz é sempre o melhor para nós.

Por outro lado, aprender a viver contente não significa parar de buscar o que é melhor, não significa que você não vai mais avançar para alvos maiores. Apenas significa que enquanto o melhor e o maior não chegam, você é grato por aquilo que você tem, por aquilo que Deus faz chegar à suas mãos.

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