“Os enfermos são as pupilas do coração de Jesus e, o que fizermos por eles, faremos ao próprio Deus”. – São Camilo de Lellis
A doença é uma situação significativa da vida humana. Encontramos passagens bíblicas onde a enfermidade, a morte e o pecado aparecem como realidades que se aliam contra o homem e das quais Deus nos liberta por meio da atualização da história da salvação.
A unção dos enfermos é um sacramento de cura e perdão. É dirigido àqueles que estão corporalmente fracos e desejam o alívio na enfermidade, entendido como um fruto corporal, mas também espiritual. A Igreja apostólica teve um rito próprio em favor dos enfermos, o gesto da “unção com óleo”, conforme podemos ver na carta de São Tiago:
“Alguém dentre vós está sofrendo? Recorra à oração. Alguém está alegre? Entoe hinos. Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com o óleo em nome do Senhor. A oração feita com fé salvará o doente e o Senhor o levantará. Confessai, pois, uns aos outros, vossos pecados, e orai pelos outros para serdes curados. A oração fervorosa do justo tem grande poder.” (Tg 5, 13-16)
A igreja, a partir do Concílio Vaticano II, deu um passo muito justo e pertinente a esse sacramento, que deixa de ser “Extrema-unção” passando para “Unção dos Enfermos”. Assim, ao ungir o doente o presbítero se assemelha ao bom samaritano, que unge com óleo as feridas daquele que se encontra à margem da estrada, caído, desamparado, consolando-o: “Aproximou-se dele e tratou-lhe as feridas, derramando nelas óleo e vinho.” (Lc 10, 34)
Ao consolar acolhemos e temos compaixão, ou seja, partilhamos a dor do outro, nos colocando em seu lugar. Na unção dos enfermos juntamente com o gesto consolador acrescenta-se a oração realizada com fé e confiança, fazendo com que o enfermo sinta a presença do Deus-amor.
“Com a sagrada unção dos enfermos e com a oração do presbítero, toda a Igreja encomenda os enfermos ao Senhor sofredor e glorificado para que os alivie e os salve. Ela os anima inclusive a unir-se livremente à paixão e morte de Cristo, e assim contribuir para o bem do povo de Deus”. (Cf. LG 11)
Por meio da celebração do sacramento da Unção dos Enfermos, a Igreja se faz presente nas situações de sofrimento como sinal eficaz da misericórdia salvífica de Deus, mostrando a solidariedade para com o doente. Nós, cristãos, buscamos e encontramos a cura da enfermidade física, no sentido de que, esse sacramento nos ajuda a suportar com paciência a doença, a vontade de Deus e, sobretudo, a cura do pecado, para sermos revigorados com a graça do Espírito que o Senhor nos dá.
Quando celebrada na missa, segue-se o rito ordinário acrescentando, após a homilia, a liturgia da unção composta de uma munição inicial, a imposição das mãos sobre os enfermos, Ladainha, a ação de graças sobre o óleo bento, a unção e a oração conclusiva.
“Quando nos aproximamos com ternura daqueles que necessitam de cuidado, damos lugar à esperança e ao sorriso de Deus, algo tão importante num mundo cheio de contradições”. – Papa Francisco
Perpétuos saberes:
· Somente o presbítero pode ministrar esse sacramento.
· O óleo para unção dos enfermos é abençoado pelo bispo, na missa crisma realizada na Quinta-feira Santa pela manhã, na Catedral, com a presença de todo o clero. No caso de não se ter o óleo abençoado, o presbítero realiza a bênção conforme prevê o Ritual da Unção dos Enfermos.
· A Unção dos Enfermos é dada quando o fiel, por doença ou velhice, se encontra em risco de morte, mas que pode não estar propriamente à beira dela. Isso difere esse sacramento da comunhão recebida como viático, último sacramento cristão, dado a quem efetivamente está prestes a morrer.
· O sacramento é administrado aos que se encontram enfermos, em perigo de morte, ungindo-os na fronte e nas mãos com o óleo de oliveira ou, segundo as circunstâncias, com outro óleo de origem vegetal, devidamente benzido. Durante o ato são proferidas, de uma só vez, as palavras: “Por esta unção e pela sua infinita misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua misericórdia, alivie os teus sofrimentos”.