Na década de 60 um grupo de jovens senhoras ( D. Maria José, D. Memente e filhas, D. Eutalinha, D. Theresinha Torres, D. Cirene, D. Georgete, D. Angelina, D. Marlene Rocha e filhas, D. Clara Viana e filhas, D. Lourdinha Soneghet, D. Isa Ferreira, D. Merinha e outras), lideradas por D. Irlanda Soneghet, promoviam o Tricrochá, que consistia de uma reunião na casa de uma delas para conversarem, realizarem alguns trabalhos manuais para si e lancharem, ou seja alimentarem uma amizade sadia. Este nome criativo foi dado por D. Maria José, sob a argumentação de que uma iam fazer tricô, outras crochê, enquanto outras iam apenas tomar chá, tudo sob a animação do violão de D. Lourdinha Soneghet.
Vendo todo este entrosamento e talento das jovens senhoras, Frei Firmino Matucheck sugeriu que fizessem aquele trabalho em prol dos irmãos carentes da periferia do bairro, a colônia de pescadores. Elas prontamente aceitaram e passaram e confeccionar trabalhos como roupinhas para recém nascidos e outros artigos do gênero.
Assumiram também a missão de um grande trabalho de evangelização, aplicando aulas de catequese para crianças da rede pública de ensino. Essa catequese era ministrada pelas senhoras com a orientação do Irmão Toninho, do colégio Marista, e, posteriormente, por Frei Humberto.
Eram as sementes da primeira pastoral da comunidade que ainda viria a ser formada.
Na ocasião, as igrejas das redondezas eram as do Rosário, Convento da Penha, Santuário e as capelinhas dos colégios Marista e São José. E era nessas igrejas que as senhoras e suas famílias participavam da Santa Missa.
Foi assim, trabalhando pelos irmãos mais necessitados eevangelizando-os que esse grupo mais uma vez chamou a atenção do Frei Firmino, que as convidou para criarem uma igreja, uma Comunidade na Praia da Costa.
Desafio aceito, as senhoras arregaçaram as mangas e foram à luta. Assim, no ano de 1968, soba a liderança de D. Irlanda Soneghet, foi criada a Comunidade Ecumênica da Praia da Costa. Por ter sido ofertado um quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, trazido do Líbano pela família do Sr. Jorge Amon, a Ela ficou dedicado o altar das celebrações católicas.
Nos primeiros anos, as celebrações eram realizadas num espaço gentilmente cedido pelo condomínio do Edifício Guruçá e eram sempre muito alegres e animadas.
O primeiro bazar foi realizado num espaço cedido pelo colégio Marista, a partir de algumas almofadas produzidas pelas senhoras e foi batizado de Bazar Talismã.
De chá em chá, de bazar em bazar e de festa junina em festa junina juntou-se dinheiro para a compra de dois terrenos situados na Rua São Paulo, para construção do templo da nossa Comunidade.
Comprados os terrenos, a primeira Missa foi realizada e após muitos eventos organizados, deu-se início às obras da Igreja.
Anos depois as famílias não católicas já não mais caminhavam conosco por motivos de mudanças para outras cidades, e no dia 29 de Abril de 1993 nossa Comunidade passou a chamar-se Comunidade Católica da Praia da Costa.
Em 1998 a Comunidade foi integrada à Mitra Arquidiocesana de Vitória, assumindo o nome que já era usado nas celebrações católicas, Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
E assim, o grupo de senhoras seguiu reunindo-se semanalmente, para confeccionar seus trabalhos manuais e realizar anualmente o tão famoso Bazar das Senhorinhas Bordadeiras da Perpétuo Socorro.
Fonte: Livro Memórias da Minha Comunidade – Fernando Luiz Sanches Torres

